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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Aonde está seu foco?

Eu não quero  pilhas de dinheiro. 
Quero viajar, conhecer lugares, experimentar de tudo sem me preocupar com as contas.
Não preciso de um anel dourado como sinal de compromisso.
Preciso é de um amor louco, de uma boa pegada, de um perfume que grude em mim...de um coração palpitante.
Não preciso de um bom emprego
Preciso me sentir realizada no ambiente de trabalho, seja onde e como for.
Não quero um motorista particular. 
Quero alguém me esperando com um guarda-chuva e uma flor que encontrou no caminho, em frente ao meu trabalho.
Não quero uma festa de casamento luxuosa.
Quero um amor pra vida inteira, e que esse amor também me queira.

Porque hoje em dia, a gente luta tanto pra obter certas coisas, que durante a luta se esquece o motivo dela.
Perdemos o foco...
 Mas nunca é tarde pra recuperar.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sorry, I can't ..


Tem dias que dá preguiça mesmo de viver. A gente olha pra própria vidinha mais ou menos e se pergunta: o que, diabos, eu estou fazendo aqui? A resposta, a gente não consegue dar. Mas tem dias que simplesmente não dá. Não dá pra acreditar no futuro, no presente e desconfiamos até mesmo do passado. Tem horas que a gente parece estar no meio de um pesadelo (ou no meio de um sonho bom que nunca vai se realizar). Tem dias que não dá pra acreditar que a Xuxa usa hidratante Monange, que a Gisele Bündchen usa Pantene e que a Carolina Dieckmann tem dentes sensíveis. Chega uma hora que a realidade te espreme num canto, te dá um tapa na cara e te pergunta: o que é que você está fazendo aqui?


Não sei. Não sabemos. Procuramos pistas na ciência, na fé e na religião. Criamos Deus e deuses pra explicar o inexplicável. Buscamos pistas de que estamos no caminho certo ou, pelo menos, no melhor caminho. Acreditamos nos sinais, no destino e na contradição deles. Entendemos um pé-na-bunda como um sinal de que era pra ser assim. Entendemos um re-encontro como um plano traçado pelo destino. E assim vamos mexendo as peças de um jogo louco e sem explicação.


Aonde queremos chegar fazendo o que fazemos, sendo quem somos, acreditando no que acreditamos? E, afinal, quem somos? Em que acreditamos, se não acreditamos em nós mesmos? Desconstruímos sonhos ou os arremessamos ao acaso. Desacreditamos da sorte, do acaso ou do destino. Despedaçamos nossa auto-estima, nossa confiança na própria fé. Insultamos Deus e o diabo.


E assim, seguimos à própria sorte. Mandamos e desmandamos na nossa vida. A vida manda e desmanda na nossa sorte. Procuramos refúgio nos nossos vícios ocultos, ainda que esses vícios sejam academia e solidão. Fugimos do mundo pra fugir de nós mesmos. Fugimos de nós mesmos para fugir do mundo. Tem dias que simplesmente não dá. Não dá pra rir de piada sem graça, não dá pra agüentar a chatice alheia (já basta a nossa própria), não dá pra gostar de comer rúcula (quem inventou essa porra?). Chamem de TPM, de crise existencial ou o diabo. Tem dias que só uma enorme barra de chocolte com ovomaltine te entende. Desculpa, mas tem dias que não dá pra brincar de faz-de-conta. Não posso. Hoje, não.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um mal chamado ORGULHO


Definido como um sentimento elevado de dignidade pessoal, entre várias outras explicações, o orgulho está sutilmente entre as piores qualidades do ser humano, principalmente quando em demasia.
Embora seja de fato ruim, ainda tem gente que acredita ser uma coisa boa, só não sabem explicar o porque. "Eu tenho o meu orgulho"; "Tenho um nome a zelar"; "Tenho uma reputação"; É o melhor que podem explicar?

O ruim, não é o fato de terem essa característica em sua personalidade, mas sim o fato de aceitar viver com isso, mesmo que este seja o motivo que afastar todos a sua volta.

O orgulho, moderadamente e reconhecido, pode com toda a razão ser bem canalizado tornando-se mais aparente em momentos de satisfação pessoal. Quem pode culpar a pessoa que trabalhou duro para ser reconhecido e se sentir orgulhoso com isso?
O problema é conseguir moderar esse tipo de sentimento.
Mesmo tornando-se comum ter pessoas orgulhosas em nossa convivência, difícil mesmo é lidar com quem não quer moderar e nem admitir ser exagerado. Tanto orgulho chega a cegar, a ponto de fazer com que não perceba o mal que faz a si mesmo "usando" o orgulho de forma tão demasiada, acaba prejudicando também aos outros.

O orgulho impede de reconhecemos nossos erros, de pedir perdão a quem amamos. Faz sofrer aos outros, e principalmente a nós mesmos. O orgulho é o sentimento que faz as pessoas matarem umas às outras assistindo a uma partida de futebol. Leva a pessoas a desistirem da própria vida ao sofrer uma decepção, uma situação constrangedora. Separa casais por motivos banais.
O orgulho não só nega o ato de perdoar, como também não aceita o perdão dos que nos magoaram. Faz com que nossa mente seja transformada a ponto de preferirmos viver com aquela mágoa, ao aceitar o perdão e prosseguir a vida.
É o que leva um homem a agredir uma mulher ou uma criança; um político ser bandido e ainda querer continuar no poder; uma pessoa recusr-ser a pedir desculpas.

Já dizia William Shakespeare "Quem é orgulhoso a si próprio devora."

Até mesmo o ódio é reversível.
Pois odio não condiz com bem estar, se torna insuportável a longo prazo

Mas o Orgulho, tem a finalidade única de destruir a nós mesmos no final por se esconder atrás de conceitos "bons", que somente orgulhosos acreditam existir.
Afinal, não se pode lutar contra algo que não acredito me fazer mal.

"O orgulho é o caminho do erro (Antero de Figueiredo).,


Reconhecer estar errado em seus atos, acredite, já é um grande passo!


terça-feira, 20 de abril de 2010

Não duvide do valor da vida ...

Bom gente, como a inspiração está em baixa.
Decidi passar por aqui,ao menos para deixar uma "mensagem do dia". Mesmo que este ja esteja quase no fim.

A mensagem de hoje é do Psiquiatra Augusto Cury.
Tornei-me sua fã a partir do livro
"A Ditadura da Beleza e a Revolução das mulheres"
Vale a pena conhecer seus trabalhos.

 "Não duvide do valor da vida, da paz, do amor, do prazer de viver, em fim, de tudo que faz a vida florescer.
 Mas duvide de tudo que a compromete. Duvide do controle que a miséria, ansiedade, egoísmo, intolerância e irritabilidade exercem sobre você.
 Use a dúvida como ferramenta para fazer uma higiene no delicado palco da sua mente com o mesmo empenho com que você faz higiene bucal." (Augusto Cury)



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quinta-feira, 8 de abril de 2010

A idade de ser feliz

Pegando carona em meus dois ultimos posts, encontrei entre os textos que tenho pelos arquivos do meu computador, um pequeno texto de Mário Quintana que chama-se A idade de ser feliz.. Embora seja conhecidissimo, penso que não se pode deixar de repetir palavras que foram ditas e escritas tão sabiamente.



Existe somente uma idade para a gente ser feliz, 
somente uma época na vida  de cada pessoa 
em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.



terça-feira, 6 de abril de 2010

A Felicidade Realista

 
Por Martha Medeiros

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. 
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. 
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vuitton e uma temporada num spa cinco estrelas. 
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. 
Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares?
Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. 
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.
 

 

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Pequenos anjos e suas grandes guerreiras


Durante os estágios em que tive a oportunidade de participar enquanto ainda estava na faculdade, conheci a historia de muita gente sofrida. Entre elas, crianças que permaneciam anos internadas por negligencia de alguém, crianças que nasceram com deficiências físicas ou mentais, crianças que possuíam seqüelas de afogamentos, de queimaduras gravíssimas, crianças com doenças genéticas... E todas elas "largadas" em algum quarto frio de hospital totalmente impotentes e dependentes de nós, profissionais da saúde. Posso contar nos dedos às vezes em que via uma mãe cuidando de seu filho há anos internado, enquanto ele recebia oxigênio de um aparelho externo. Fato que sempre me deixou intrigada.
Foram muitas às vezes em que me segurei pra não chorar com a história de pequenos anjos que conheci de hospital em hospital, tinha vontade de levá-los pra casa (compartilhei esse desejo com alguns de meus colegas de estágio), mas essa vontade me lembrava o quanto era impotente, por melhores que fossem minhas vontades a dura realidade de não poder fazer muita coisa por eles, a não ser prestar cuidados mínimos de hospital, me deixava extremamente triste. O fato de uma criança tão frágil não ter a companhia dos pais ao seu lado também era uma coisa que me causava certa indignação, mesmo sem saber o motivo de isso acontecer. Era como se não fizesse sentido algum. Eu, uma pessoa estranha, uma mera estagiária de enfermagem, queria tanto fazer alguma coisa por elas, me perguntava onde estão as mães destes anjinhos, porque não estão aqui com eles? Será que elas (as mães) sentem alguma coisa parecida com o que sinto?
Enfim. Cursando meus últimos meses de faculdade, sem ainda criar meu próprio blog, fui apresentada a uma comovente história, a de Flávia. Uma garotinha que foi surpreendida com uma grande tragédia, mas que soube aproveitar cada pedacinho da melhor fase de sua vida, a infância. Hoje, Flávia tem a minha idade, pequeno detalhe que faz com que eu tenha grande empatia por ela, além de grande admiração por sua mãe que se mostrou um grande exemplo de força frente a tudo o que enfrentaram. Digo isso por que graças a Deus, Flávia teve a sorte de ser abençoada com uma mãe guerreira, e disposta a tudo por ela. Mulher que deu o sangue pra que a filha vivesse além de tudo, com o máximo de dignidade apesar das tragédias que as surpreenderam.
Flávia é a personagem principal do "Flávia vivendo em coma" : "Blog, criado em Janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia, em coma vigil há 12 anos e sua luta pela vida, desde que teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O que aqui escrevo, é o relato verídico dos fatos desde o acidente,ocorrido em 06.01.1998, até os dias de hoje. É um alerta sobre o perigo existente em ralos de piscinas. É um protesto contra a lentidão da justiça brasileira." 
Descrição feita por sua mãe, Odele Souza.
Após a leitura de alguns textos escritos por Odele, a mãe da pequena grande Flávia, me senti extremamente comovida, não houve formas de evitar isso. Assim como a lembrança dos rostos daqueles pequenos anjos com quem convivi por algum tempo, foi também inevitável. 
Me fez refletir em como a justiça é lenta em tantas coisas, não só com a demora na providência de condições dignas para aquelas pequenas crianças que moram há anos em uma ala hospitalar, vivendo longe de seus pais porque simplesmente não há estrutura para que elas possam ir pra casa com os aparelhos que os manterão respirando, ou  por que não existe uma poltrona decente pra que  pais possam descansar ao lado do filho em um hospital público, onde esse tipo de coisa é responsabilidade do governo, ironicamente, mas a justiça também se mostra lenta quando ocorre de uma mãe mover o mundo para ficar ao lado de uma criança necessitada de cuidados e suas forças serem contidas ao não encontrar apoio recebendo o que é dela por direito, JUSTIÇA.
Além de me colocar no chão, algumas das palavras de Odele em seu Blog me fizeram repensar meus conceitos sobre o quanto é difícil uma mãe cuidar de um filho em sua própria casa, filho esse que depende totalmente de uma atenção especial a sua saúde. Fez-me refletir quanto a julgamento que fiz precipitadamente aos pais de algumas crianças que cuidei no hospital, quem sou eu pra julgar afinal? Se já é difícil criar um filho saudável em tempos como estes, imagina só faze-lo quando vivemos em um país onde conseguir um emprego é tão difícil. Imagina só o quanto deve ser complicado uma mãe humilde e sem informação suficiente, além de engravidar sem condição alguma, descobrir depois que seu filho nasceu com uma doença grave, ou que seu filho sofreu um acidente que o deixou totalmente dependente. Imagina essa mãe ter que trabalhar para manter a família e ainda se mobilizar, de sua casa até o hospital. 
Senhor! Nem posso imaginar a dor dessas mães. 
Sinceramente faço tudo para crer, do fundo do meu coração, que todo esse esforço não será em vão jamais. Mesmo que a justiça não seja feita, sei que Deus as recompensará de alguma forma.

Imagino que deve existir muitas Odeles nesse Brasil, mulheres guerreiras que tiveram o desprazer de encontrar pedras enormes em seu caminho impedindo a felicidade de suas crianças. Mulheres que lutam por uma justiça que talvez nunca venha, mas que fazem com que elas não possam afirmar em momento algum: "Eu não tentei".
Assim como eu ja fiz, deve existir muitas gente que ainda julga sem saber o real sofrimento dessas mulheres em abrir os olhos dia após dia e enfrentar a realidade de seus filhos. Se todos pudéssemos por um momento ver de perto o que é pra essas mães, lidar com essa dura realidade, quem sabe houvesse finalmente um senso de justiça brotando entre aqueles que não querem ceder a vitória à mulheres guerreiras como estas.

Odele, sou uma das várias pessoas que torce para que justiça seja feita de verdade,  mesmo não trazendo a felicidade de rever o sorriso de Flávia novamente, ajudará a você e a sua filha a viver em uma situação mais confortável para os cuidados que ela precisa,  além de incentivar outras mães a correr atrás de dignidade para seus filhos também.
Você é uma guerreira! Nunca duvide da sua força, foi através dela que você conseguiu tantos novos amigos e pessoas que você hoje pode contar.
Te admiro como mulher, como mãe e como guerreira que você é. 
Sei que Flávia sente essa força também.
Parabéns por ser exemplo.
Você merece esse título.


domingo, 4 de abril de 2010

Passado - Presente - Futuro. E o valor de tudo isso?

Como fã dos textos do Arnaldo Jabor, cá estou eu publicando um deles já que em pleno domingo à noite me sinto extremamente desprovida de  tal criatividade pra escrever qualquer outra coisa por aqui. Enquanto trabalho em alguma coisa decidi publicar esse texto que encontrei passeando por páginas virtuais que as vezes visito ( texto manjadissimo nos blogs afora por sinal). Me fez refletir, espero que tenha o mesmo resultado aos leitores que por aqui passarem. 


Nossos dias melhores nunca virão?

Ando em crise, numa boa, nada de grave. Mas, ando em crise com o tempo. Que estranho "presente" é este que vivemos hoje, correndo sempre por nada, como se o tempo tivesse ficado mais rápido do que a vida, como se nossos músculos, ossos e sangue estivessem correndo atrás de um tempo mais rápido.

As utopias liberais do século 20 diziam que teríamos mais ócio, mais paz com a tecnologia. Acontece que a tecnologia não está aí para distribuir sossego, mas para incrementar competição e produtividade, não só das empresas, mas a produtividade dos humanos, dos corpos. Tudo sugere velocidade, urgência, nossa vida está sempre aquém de alguma tarefa. A tecnologia nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas, fábricas vivas, chips, pílulas para tudo.

Temos de funcionar, não de viver. Por que tudo tão rápido? Para chegar aonde? A este mundo ridículo que nos oferecem, para morrermos na busca da ilusão narcisista de que vivemos para gozar sem parar? Mas gozar como? Nossa vida é uma ejaculação precoce. Estamos todos gozando sem fruição, um gozo sem prazer, quantitativo. Antes, tínhamos passado e futuro; agora, tudo é um "enorme presente", na expressão de Norman Mailer. E este "enorme presente" é reproduzido com perfeição técnica cada vez maior, nos fazendo boiar num tempo parado, mas incessante, num futuro que "não pára de não chegar".

Antes, tínhamos os velhos filmes em preto-e-branco, fora de foco, as fotos amareladas, que nos davam a sensação de que o passado era precário e o futuro seria luminoso. Nada. Nunca estaremos no futuro. E, sem o sentido da passagem dos dias, da sucessibilidade de momentos, de começo e fim, ficamos também sem presente, vamos perdendo a noção de nosso desejo, que fica sem sossego, sem noite e sem dia. Estamos cada vez mais em trânsito, como carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa, e cada vez mais nossa identidade vai sendo programada. O tempo é uma invenção da produção. Não há tempo para os bichos. Se quisermos manhã, dia e noite, temos de ir morar no mato.

Há alguns anos, eu vi um documentário chamado Tigrero, do cineasta finlandês Mika Kaurismaki e do Jim Jarmusch sobre um filme que o Samuel Fuller ia fazer no Brasil, em 1951. Ele veio, na época, e filmou uma aldeia de índios no interior do Mato Grosso. A produção não rolou e, em 92, Samuel Fuller, já com 83 anos, voltou à aldeia e exibiu para os índios o material colorido de 50 anos atrás. E também registrou, hoje, os índios vendo seu passado na tela. Eles nunca tinham visto um filme e o resultado é das coisas mais lindas e assustadoras que já vi.
Eu vi os índios descobrindo o tempo. Eles se viam crianças, viam seus mortos, ainda vivos e dançando. Seus rostos viam um milagre. A partir desse momento, eles passaram a ter passado e futuro. Foram incluídos num decorrer, num "devir" que não havia. Hoje, esses índios estão em trânsito entre algo que foram e algo que nunca serão. O tempo foi uma doença que passamos para eles, como a gripe. E pior: as imagens de 50 anos é que pareciam mostrar o "presente" verdadeiro deles. Eram mais naturais, mais selvagens, mais puros naquela época. Agora, de calção e sandália, pareciam estar numa espécie de "passado" daquele presente. Algo decaiu, piorou, algo involuiu neles.

Lembrando disso, outro dia, fui atrás de velhos filmes de 8mm que meu pai rodou há 50 anos também.
Queria ver o meu passado, ver se havia ali alguma chave que explicasse meu presente hoje, que prenunciasse minha identidade ou denunciasse algo que perdi, ou que o Brasil perdeu... Em meio às imagens trêmulas, riscadas, fora de foco, vi a precariedade de minha pobre família de classe média, tentando exibir uma felicidade familiar que até existia, mas precária, constrangida; e eu ali, menino comprido feito um bambu no vento, já denotando a insegurança que até hoje me alarma. Minha crise de identidade já estava traçada. E não eram imagens de um passado bom que decaiu, como entre os índios.

Era um presente atrasado, aquém de si mesmo. A mesma impressão tive ao ver o filme famoso de Orson Welles, It's All True, em que ele mostra o carnaval carioca de 1942 - únicas imagens em cores do País nessa década. Pois bem, dava para ver, nos corpinhos dançantes do carnaval sem som, uma medíocre animação carioca, com pobres baianinhas em tímidos meneios, galãs fraquinhos imitando Clark Gable, uma falta de saúde no ar, uma fragilidade indefesa e ignorante daquele povinho iludido pelos burocratas da capital. Dava para ver ali que, como no filme de minha família, estavam aquém do presente deles, que já faltava muito naquele passado.

Vendo filmes americanos dos anos 40, não sentimos falta de nada. Com suas geladeiras brancas e telefones pretos, tudo já funcionava como hoje. O "hoje" deles é apenas uma decorrência contínua daqueles anos.

Mudaram as formas, o corte das roupas, mas eles, no passado, estavam à altura de sua época. A Depressão econômica tinha passado, como um grande trauma, e não aparecia como o nosso subdesenvolvimento endêmico. Para os americanos, o passado estava de acordo com sua época. Em 42, éramos carentes de alguma coisa que não percebíamos. Olhando nosso passado é que vemos como somos atrasados no presente. Nos filmes brasileiros antigos, parece que todos morreram sem conhecer seus melhores dias.
E nós, hoje, nesta infernal transição entre o atraso e uma modernização que não chega nunca? Quando o Brasil vai crescer? Quando cairão afinal os "juros" da vida? Chego a ter inveja das multidões pobres do Islã: aboliram o tempo e vivem na eternidade de seu atraso.
Aqui, sem futuro, vivemos nessa ansiedade individualista medíocre, nesse narcisismo brega que nos assola na moda, no amor, no sexo, nessa fome de aparecer para existir.
Nosso atraso cria a utopia de que, um dia, chegaremos a algo definitivo. Mas, ser subdesenvolvido não é "não ter futuro"; é nunca estar no presente.

Arnaldo Jabor
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