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terça-feira, 6 de abril de 2010

A Felicidade Realista

 
Por Martha Medeiros

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. 
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. 
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vuitton e uma temporada num spa cinco estrelas. 
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. 
Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares?
Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. 
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.
 

 

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Pequenos anjos e suas grandes guerreiras


Durante os estágios em que tive a oportunidade de participar enquanto ainda estava na faculdade, conheci a historia de muita gente sofrida. Entre elas, crianças que permaneciam anos internadas por negligencia de alguém, crianças que nasceram com deficiências físicas ou mentais, crianças que possuíam seqüelas de afogamentos, de queimaduras gravíssimas, crianças com doenças genéticas... E todas elas "largadas" em algum quarto frio de hospital totalmente impotentes e dependentes de nós, profissionais da saúde. Posso contar nos dedos às vezes em que via uma mãe cuidando de seu filho há anos internado, enquanto ele recebia oxigênio de um aparelho externo. Fato que sempre me deixou intrigada.
Foram muitas às vezes em que me segurei pra não chorar com a história de pequenos anjos que conheci de hospital em hospital, tinha vontade de levá-los pra casa (compartilhei esse desejo com alguns de meus colegas de estágio), mas essa vontade me lembrava o quanto era impotente, por melhores que fossem minhas vontades a dura realidade de não poder fazer muita coisa por eles, a não ser prestar cuidados mínimos de hospital, me deixava extremamente triste. O fato de uma criança tão frágil não ter a companhia dos pais ao seu lado também era uma coisa que me causava certa indignação, mesmo sem saber o motivo de isso acontecer. Era como se não fizesse sentido algum. Eu, uma pessoa estranha, uma mera estagiária de enfermagem, queria tanto fazer alguma coisa por elas, me perguntava onde estão as mães destes anjinhos, porque não estão aqui com eles? Será que elas (as mães) sentem alguma coisa parecida com o que sinto?
Enfim. Cursando meus últimos meses de faculdade, sem ainda criar meu próprio blog, fui apresentada a uma comovente história, a de Flávia. Uma garotinha que foi surpreendida com uma grande tragédia, mas que soube aproveitar cada pedacinho da melhor fase de sua vida, a infância. Hoje, Flávia tem a minha idade, pequeno detalhe que faz com que eu tenha grande empatia por ela, além de grande admiração por sua mãe que se mostrou um grande exemplo de força frente a tudo o que enfrentaram. Digo isso por que graças a Deus, Flávia teve a sorte de ser abençoada com uma mãe guerreira, e disposta a tudo por ela. Mulher que deu o sangue pra que a filha vivesse além de tudo, com o máximo de dignidade apesar das tragédias que as surpreenderam.
Flávia é a personagem principal do "Flávia vivendo em coma" : "Blog, criado em Janeiro de 2007, é dedicado à minha filha Flavia, em coma vigil há 12 anos e sua luta pela vida, desde que teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do prédio onde morávamos em Moema - São Paulo. O que aqui escrevo, é o relato verídico dos fatos desde o acidente,ocorrido em 06.01.1998, até os dias de hoje. É um alerta sobre o perigo existente em ralos de piscinas. É um protesto contra a lentidão da justiça brasileira." 
Descrição feita por sua mãe, Odele Souza.
Após a leitura de alguns textos escritos por Odele, a mãe da pequena grande Flávia, me senti extremamente comovida, não houve formas de evitar isso. Assim como a lembrança dos rostos daqueles pequenos anjos com quem convivi por algum tempo, foi também inevitável. 
Me fez refletir em como a justiça é lenta em tantas coisas, não só com a demora na providência de condições dignas para aquelas pequenas crianças que moram há anos em uma ala hospitalar, vivendo longe de seus pais porque simplesmente não há estrutura para que elas possam ir pra casa com os aparelhos que os manterão respirando, ou  por que não existe uma poltrona decente pra que  pais possam descansar ao lado do filho em um hospital público, onde esse tipo de coisa é responsabilidade do governo, ironicamente, mas a justiça também se mostra lenta quando ocorre de uma mãe mover o mundo para ficar ao lado de uma criança necessitada de cuidados e suas forças serem contidas ao não encontrar apoio recebendo o que é dela por direito, JUSTIÇA.
Além de me colocar no chão, algumas das palavras de Odele em seu Blog me fizeram repensar meus conceitos sobre o quanto é difícil uma mãe cuidar de um filho em sua própria casa, filho esse que depende totalmente de uma atenção especial a sua saúde. Fez-me refletir quanto a julgamento que fiz precipitadamente aos pais de algumas crianças que cuidei no hospital, quem sou eu pra julgar afinal? Se já é difícil criar um filho saudável em tempos como estes, imagina só faze-lo quando vivemos em um país onde conseguir um emprego é tão difícil. Imagina só o quanto deve ser complicado uma mãe humilde e sem informação suficiente, além de engravidar sem condição alguma, descobrir depois que seu filho nasceu com uma doença grave, ou que seu filho sofreu um acidente que o deixou totalmente dependente. Imagina essa mãe ter que trabalhar para manter a família e ainda se mobilizar, de sua casa até o hospital. 
Senhor! Nem posso imaginar a dor dessas mães. 
Sinceramente faço tudo para crer, do fundo do meu coração, que todo esse esforço não será em vão jamais. Mesmo que a justiça não seja feita, sei que Deus as recompensará de alguma forma.

Imagino que deve existir muitas Odeles nesse Brasil, mulheres guerreiras que tiveram o desprazer de encontrar pedras enormes em seu caminho impedindo a felicidade de suas crianças. Mulheres que lutam por uma justiça que talvez nunca venha, mas que fazem com que elas não possam afirmar em momento algum: "Eu não tentei".
Assim como eu ja fiz, deve existir muitas gente que ainda julga sem saber o real sofrimento dessas mulheres em abrir os olhos dia após dia e enfrentar a realidade de seus filhos. Se todos pudéssemos por um momento ver de perto o que é pra essas mães, lidar com essa dura realidade, quem sabe houvesse finalmente um senso de justiça brotando entre aqueles que não querem ceder a vitória à mulheres guerreiras como estas.

Odele, sou uma das várias pessoas que torce para que justiça seja feita de verdade,  mesmo não trazendo a felicidade de rever o sorriso de Flávia novamente, ajudará a você e a sua filha a viver em uma situação mais confortável para os cuidados que ela precisa,  além de incentivar outras mães a correr atrás de dignidade para seus filhos também.
Você é uma guerreira! Nunca duvide da sua força, foi através dela que você conseguiu tantos novos amigos e pessoas que você hoje pode contar.
Te admiro como mulher, como mãe e como guerreira que você é. 
Sei que Flávia sente essa força também.
Parabéns por ser exemplo.
Você merece esse título.


terça-feira, 30 de março de 2010

Como pedir desculpas


Um mestre chassídico certa vez perguntou a seus discípulos: "Se vocês se perderem numa floresta, é melhor que seja a pé ou a cavalo?"
"É claro que o melhor é se perder andando a pé" – respondeu um dos discípulos.
"Você não estaria perdido tão longe como se estivesse a cavalo."
A isso o outro replicou: "É melhor se perder estando montado a cavalo. Porque no minuto em que você notar que está perdido, pode sair da floresta muito mais depressa."
Durante nossa jornada pela vida com freqüência nos perdemos. Cometemos erros. Isso é inevitável. Quanto tempo demoramos para reparar nossos erros quando os descobrimos – isso é que faz a verdadeira diferença na qualidade de nossa vida.
Algumas pessoas consideram muito difícil abordar alguém a quem magoaram, e desculpar-se pelo sofrimento que talvez tenham causado. Quantos relacionamentos pessoais e profissionais poderiam ter sido salvos, quantos lares desfeitos teriam sido evitados, quantos afastamentos entre pais e filhos teriam sido resolvidos – se uma das partes envolvidas tivesse tido a coragem de encarar a outra pessoa e dizer: "Sinto muito!" Ainda que acreditemos não tê-lo feito com más intenções ou que não erramos, mesmo assim podemos nos desculpar pela dor que a outra pessoa sofreu.
Admiro a enfermeira que, antes de dar uma injeção, diz ao paciente: "Desculpe, mas isso vai doer." Embora suas ações sejam em benefício do paciente, ela ainda se desculpa pela dor que vai causar a ele."
Algumas pessoas ficam preocupadas ao dizer "Sinto muito". Talvez pensem que ao fazê-lo estarão admitindo que erraram. Talvez temam o que pode acontecer se sua desculpa for rejeitada. No entanto, receberíamos mais respeito do próximo se tivéssemos a coragem de nos desculpar. Tudo que diríamos seria: Sou mais inteligente hoje do que fui ontem, e aprendi alguma coisa nova. 

"É nossa ira que nos faz entrar numa briga..." – disse certa vez um sábio – 
"...E nosso ego que nos faz continuar nela."

Certa vez, quando eu estava me desculpando com um velho amigo, ele sorriu e disse-me: "Eu gostaria de ter sido tão corajoso quanto você, e pedido desculpas." Nossa antiga amizade foi restaurada e hoje está muito mais forte do que jamais este antes.

Como se desculpar? Apenas faça isso. Com freqüência, é preciso apenas dar uma volta com o cavalo e sair da floresta.

Por Yaakov Lieder

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Alguns textos simplesmente dizem tudo, né?
Espero que gostem, assim como eu.
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