segunda-feira, 24 de maio de 2010

Nós e nossos julgamentos


Analisando algumas experiências vivi por todos esses anos, me dei conta de como é nítidamente fácil julgar e ser julgado por alguém. Um grande exemplo brasileiro dessa facilidade é o conhecido fato de que não houve no Brasil inteiro alguém que não meteu o bedelho na decisão final no julgamento do casal Nardoni, mesmo não tendo nenhum vídeo ou testemunha da morte da pequena Isabela ou algum vínculo com a família, quem é que não quis mandar o casal Nardoni a merda mesmo sem provas concretas de que eram culpados? Não estou dizendo que sejam inocêntes nem estou do lado de ninguém, mas já pararam pra pensar no quanto julgamos as pessoas sem ter certeza dos fatos ou simplesmente sem nos colocarmos no lugar da mesma?

Infelizmente, aprendi logo cedo o desconforto de ser julgado sem a oportunidade de mostrar quem eu era de verdade. Além de passar grande parte da infância e adolescência sendo julgada por seguir uma religião, na juventude perdi "amigos" por não participar de certas atividades que não se encaixavam com minha maneira de pensar;
Na faculdade sofri com o julgamento de pessoas que não entendiam que eu, ao contrário de muitos que se diziam meus amigos, tinha que trabalhar e estudar, não entendiam que eu não podia passar a tarde toda na casa de alguém fazendo trabalho ou jogando conversa fora porque tinha que trabalhar;
Em um dos meus empregos era a novata mais odiada do chefe, pelo fato de quase nunca fazer horas extras porque precisava estudar, além de dormir  no máximo quatro horas por noite pra dar conta de estudo e trabalho;

É muito fácil, não é? Simplesmente dizer : "Ela não gosta de trabalhar" ao invés de se colocar no lugar da pessoa que mal dorme ao ter que dar conta de milhões de outras atividades.
É simples deixar de ser amigo de alguém porque esse alguém não tem tempo de ir a sua casa, ao invés de entender que essa pessoa talvez precise de compreensão ou uma simples visita sua.
É difícil de respeitar a religião de alguém? Entender que é um estilo de vida usar roupas comportadas e não sair pra beber cerveja e fumar maconha?

A questão é que não é difícil respeitar, o problema é que é muito mais fácil afirmar sua propria suposição, a própria teoria sobre as pessoas do que se dar ao trabalho de ser companheiro de verdade, ou melhor, ser humano de verdade e usar de compreensão pra entender cada um como ele é, e que lidamos com a vida de maneira individial. 
Julgar é tão fácil é que até uma criança consegue agir de tal modo.

Eu não sou perfeita, já julguei também, e descobri que para se livrar desse péssimo hábito é importante antes de atirar uma pedra em alguém, imaginar-se recebendo uma pedrada. Chama-se Empatia. Fazendo isso, acredite, se houver um pingo de caráter dentro de você, vai passar a querer mudar suas atitudes. 

Pratiquemos! 
Só Deus pode nos julgar.

5 comentários:

  1. Julgar e se fazer de vítima é sempre mais simples.

    Faz parte do ser humano julgar, inclusive julgar as pessoas que amamos. =/

    Beijos e parabens pelo texto

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  2. Amei as palavras, nega.
    Julgar faz parte de um ciclo vicioso, e não virtuoso. É uma espécie de câncer entre as pessoas: incurável e imprevisível.

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  3. Tem um selo pra vc, lá no meu blog!!
    =)
    http://doncarioca.blogspot.com/

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  4. Elaine,

    Muito interessante o seu post porque trata de algo que está sempre em nossas cabeças. O julgamento. E se nos colocássemos no lugar do outro realmente, talvez em vez de julgar passariamos a compreender mais essa pessoa.

    Pra você, um forte e carinhoso abraço.

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  5. Sabe qual é o problema?! Hoje, as pessoas só conseguem pensar no próprio umbigo, sem pensar no bem do próximo. É exatamente como vc disse, empatia é a chave pra qualquer relacionamento, seja amizade, amor ou trabalho.
    É fácil pré-julgar alguém, entender e colocar-se no lugar é FODA pra quem nunca tenta.

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