quarta-feira, 7 de abril de 2010

Esse lance de ser adulta

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Lembro de quando era criança, às vezes grudava a cabeça na cintura da minha irmã mais velha pra medir o tanto que havia crescido. Ao ver a minha tentativa de saber quantos centímetros faltava para alcançá-la, ela sorria e dizia pra eu não ter pressa. Não satisfeita eu perguntava como era pra ela ser grande, e ela dizia que não mudava nada, a diferença na verdade era a quantidade de problemas pelos quais ela agora era responsável.
A resposta dela pra mim não fazia sentido algum, não como faz agora.
Dizem que ser um adulto é ter certa idade, além de enfrentar problemas que crianças não conseguiriam, agir como uma pessoa responsável de forma séria e coerente. Mas se for mesmo assim, conheço ainda gente de quarenta anos que ainda não é adulta, pois como posso afirmar ser adulta uma pessoa que agride uma mulher sem ela nem estar reagindo, e justifica esse ato ao dizer que a mulher não sabe temperar direito uma salada, (juro que conheço um homem assim).
Já pensou se o nosso corpo se desenvolvesse junto com o cérebro? Provavelmente esse "homem" teria a aparência de uma criança de oito anos, seria uma dessas crianças que geram  problemas na escola por bater em qualquer um por qualquer motivo.
Quanto a mim, tudo bem, eu cresci, mas hoje ainda, aos vinte e poucos anos tenho vontade de comer tanto doce quanto era aos sete anos, ainda dou risada por qualquer motivo, gosto de enrolar na cama quando acordo, sinto vontade de chorar quando alguém me da uma bronca séria, fico vermelha quando estou frente a uma situação constrangedora ou que envolva alguma emoção forte tipo alegre demais ou triste demais, quando sinto medo à noite cubro a cabeça com o cobertor e não durmo com os pés pra fora da cama nem pensar, compro meias coloridas pra ficar em casa, sinto vontade de tomar sorvete o tempo todo inclusive no frio, na praia gosto de sentar à beira do mar e fazer buraquinhos com o dedo na areia, gosto de andar de bicicleta na grama, me lambuzar com melancia, comer amora direto do pé... E tantas outras coisas que sinto impulso em fazer.
Como assim eu sou adulta? Mereço esse título porque minha idade diz que sou uma? Acho que esse é provavelmente um dos maiores erros da humanidade, classificar as pessoas pela idade que elas têm. Senso de responsabilidade e maturidade para enfrentar problemas não é questão de idade.
Não estou dizendo que eu seja uma pessoa infantil, talvez  esses meus impulsos infantis estejam sendo preservados, como parte da minha personalidade alegre e descontraída de sempre, impulsos que venho tentando manter, para não me aborrecer tanto com esse mundo chato das pessoas “grandes”. O problema é que conheço muita gente mais velha, que é sem duvida criança no quesito responsabilidade e maturidade. O fato é que, ao invés de manter as coisas boas pra se tornarem adultos menos infelizes, preservaram o senso de infantilidade ao lidar com coisas sérias, como por exemplo, as maneiras erradas que tem ao  tratar uma pessoa mais frágil como uma criança ou uma mulher; Além da falta de  responsabilidade ao escolher pessoas inadequadas pra cuidar da nossa cidade, país e etc. Vai entender né, não sou psicóloga (Rs). Só penso que tudo tem limite, não dá pra tratar tudo como se estivesse brincando de carrinho ou boneca. Ser criança de espírito sim! Ser irresponsável não dá.
Acho que esse negócio de tacharem as pessoas como adultas, dizendo que elas têm que agir como tal, devia ser repensado, assim como o fato da idade influenciar tanto na definição do que somos na visão dos outros. Afinal qual é o problema se eu quiser ser um pouco antiquada às vezes e usar meias coloridas, ou comer uma fruta com as mãos? Deixem o meu lado criança feliz em paz! Preocupem-se com as crianças irresponsáveis que colocaram lá encima liderando o nosso país, e com os imaturos que os colocaram lá.

Um comentário:

  1. eu te conheci criança e pra mim vc ainda é! rsrsrsrs
    acho graça quando penso naquela menininha toda esperta e sorridente escrevendo tudo isso!
    bjoo

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