segunda-feira, 12 de abril de 2010

Como as coisas perderam a graça?


Já faz algumas semanas que venho assistindo filmes que me soaram interessantes de alguma forma. Os escolhidos variam dos exibidos em 1930, aos da era 2000.
É claro que não deve acontecer só comigo, dentre esses filmes antigos, alguns me causam tantos sentimentos que os lançados e assistidos rescentemente nem sequer chegam perto. É uma sensação emocionante frente à tão simples e aconchegante criatividade, além de realidade tão brevemente diferente da atual. É como se voltasse a ser criança ou estivesse na pele dos meus pais, ou meus avós. Como se pudesse por alguns instantes experimentar novamente o que um dia foi tão encantador e real, e que hoje já não é nenhuma novidade.
Daí surgiu o assunto desse post. Como as coisas perderam a graça com o passar dos anos?

Felizmente eu pude nascer em uma época que toda essa tecnologia ainda era meio distante da minha geração. Quase ninguém conhecido tinha telefone em casa naquela época (me senti a idosa agora) meus tios do interior nos mandavam cartas, minha mãe tinha uma porção de correspondências guardadas de quando meu pai a enviava em suas viagens a trabalho. Eu e minhas irmãs tínhamos um gravador velho, fazíamos gravações de nossas conversas, como se fossem entrevistas e mandávamos para nossas primas distantes. Como resposta elas faziam o mesmo. Era revigorante! Escutávamos sem parar as fitas recebidas, e gravávamos várias outras pra enviar novamente. Víamos nossos parentes somente em épocas especiais como aniversário dos avós, natal e ano novo. Às vezes também no dia das mães e olhe lá! Ficávamos tanto tempo sem nos ver que quando estava perto do natal a ansiedade era imensa a ponto de tirar o sono. Ao encontrarmos com as primas e tios distantes as conversas eram intermináveis, tinhamos assunto acumulado do ano inteiro pra compartilhar já que telefone ninguém tinha.
Os namorados naquela época encontravam-se somente aos finais de semana e a saudade era tão grande que os beijos até estralavam. Os homens escreviam cartas, valorizavam as fotos, e enviavam flores. Os casais juravam amor eterno mesmo sem muito tempo de convivência e sabiam que seriam felizes pelo resto da vida pelo simples fato de saberem que matarão a saudade acumulada e a vontade de ficar juntos o tempo todo.
Aos poucos as coisas foram mudando. O telefone chegou as nossas casas. Em seguida o celular. Lembro da vergonha que tinha quando meu pai me ligava pra saber onde eu estava, e eu, era obrigada a atender e ver todo mundo me observando com aquele "tijolo" enorme perto do ouvido. Lembro inclusive de uma vez em que eu estava em uma vã com alguns amigos, fazia muito barulho até o tijolo começar a berrar. Todo mundo ficou em silêncio me ouvindo falar no celular, só eu tinha um, era novidade e todo mundo queria ver. Cômico.
Aos primeiros dias com o telefone em casa e no bolso, as coisas passaram a ser diferentes. Os parentes ligavam o tempo todo. Não era mais nacessário gravar as fitas com nossas vozes já que eles poderiam nos ouvir ao vivo agora. As cartas foram extintas. Tornaram-se úteis apenas para as cobranças bancárias. Os namorados passaram a se falar o tempo todo, causando certo "enjôo" neles mesmos, pois agora se falam não só por telefone, mas também por sms, e-mails, mensagens instantâneas e afins, com essa tal inclusão digital generalizada.
Os casais não pensam mais em se casar como antes, já que ninguém mais sabe o que é sentir saudade de verdade.
A TV que era encantadora por mostrar filmes maravilhosos, românticos preservando sempre o amor e a moralidade, se tornou um palco para palhaçadas e propagandas. Nem preciso dizer o que penso sobre TV né? Assisti há uns dias atrás um dos últimos filmes mudos de Charles Chaplin, e me emocionei, juro! Me coloquei por alguns instantes na pele de pessoas que tiveram a oportunidade de apreciar coisas tão boas, e que hoje lamentam ver a TV e não conseguir enxergar nenhum cisco do que costumava ser.

Não me entendam mal. Admiro demais as pessoas que foram tão úteis canalizando seu QI para criar a TV, os telefones, os computadores, os carros e etc., e toda essa infinidade de objetos que facilitaram a vida das pessoas trazendo certo conforto para o ser humano preguiçoso. Mas facilitaram TANTO que chega a ser chato ás vezes.
Afinal convenhamos, é tão mais gostoso pela manhã tomar um café fresquinho direto do coador com jornal pré-imprimido nas mãos, ouvir a voz forte dos locutores nas rádios e sentir vontade de cochilar, receber uma carta que esperava a dias de uma pessoa que realmente gosta e reunir-se com a família tendo milhões de coisas pra contar.

A verdade é que a tecnologia tornou o ser humano um ser apressado, preguiçoso e sem graça.
Ninguém faz nada hoje em dia sem um carro, um telefone e um computador. FATO!
E como a tendencia é "piorar"
Contentemos-nos com as lembranças e com os filmes. É só o que nos resta.

Não entendam esse post como: "Ah ela ta cuspindo no prato que come", mas sim como um post feito das observações sobre a breve realidade que pude experimentar algum dia e que não reconheço mais nos dias atuais.

Fica o desabafo nostálgico.

2 comentários:

  1. adorei seu post.. claro que pela minha idade eu vivenciei muito mais isso tudo. eu que corria para todo lado hoje me vejo preguiçosa e comodista.. tenho tudo num simples toque de meu dedo. sinto saudade do tempo que conversavamos uns com os outros. hoje a tv fala por nós.. muito bom seu texto..parabens.. beijão

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  2. Olá Elaine! Hoje é quarta-feira, uma correria. Não repare em minha visita relâmpago, mas venho lhe convidar para ler o novo capítulo de “O Diário de Bronson (O Chamado)” e deixar o seu comentário.

    Retornarei com melhores modos e mais tempo. Tenha uma ótima semana. Abraço do Jefhcardoso!

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